quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Raiva silenciada

Existe aquela estranheza...
Começa o pôr do sol e estranhamos o dia que finda nesse instante, a inutilidade desse momento, já que durante todo o dia nada se passou para que possas saborear aquela sensação momentânea...
Sentes essa estranheza, à medida que revisitas o teu quotidiano, em busca de algo que te faça considerar o quanto valeu a pena passar por ele, quando entendes que nunca houve nada que te fizesse sentir de tal agradável maneira.
Conheces essa estranheza. Não é a primeira vez. Não encontras razão para continuar os dias, por chegares àquele momento que te marca o final do dia e não encontrares razão para o revisitares no dia seguinte. Mas continuas. E os dias parecem pesados, longos, inúteis, por nos momentos que antecedem o dia seguinte não teres qualquer história para contar...
Desejas algo que mude a tua vida, sem a procurares, sem saberes o que seja. Algo que te permita chegares a mais um final de dia e poderes dizer "hoje valeu a pena". Algo que te permita sentir feliz quando chegado o pôr do sol, mais uma vez. Algo que te permita dizer "amanhã valerá a pena"...
Um dia, poderá chegar a concretização de tal desejo. Mas antes de tal acontecimento, continuas os dias, sem saber o valor daquele momento que chega todos os dias no seu final, sob a forma de uma possível pintura numa parede, de uma estria de luz por entre uma estreita janela, de um conforto final num desgostoso dia. Continuas sem conhecer o sentimento de sucesso, de realização, de satisfação, ainda que momentânea, que afecta quase todos ao chegarem a casa e ao vislumbrarem tudo o que possuem na concretização de uma felicidade aparentemente contínua.
E continuas insatisfeito, por essas pessoas poderem partilhar isso, não por egoísmo, mas por amizade, por um desejo de retorno dessa mesma felicidade de quem recebeu, e por tu apenas poderes ouvir, acenar e deixar-te levar na abstracção de um dia que mais parece irreal...

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