sábado, 16 de maio de 2009

(Re)Conhecendo-me, avaliando-me... (# 3)

Pela última vez perante a professora mas pela primeira de muitas mais perante mim, avalio aqui o meu trabalho deste infeliz final de ano mas início de muitos outros. Deixando tristes e subjectivas introduções para a frase anterior, devo dizer que, como lhe expliquei pelo e-mail enviado, a falta de estratégia não é de todo falta de atenção, apenas invulgarmente "propositada", como explicado no e-mail.
Já a auto-avaliação foi esclarecida, espero, igualmente pelo e-mail, estando neste momento publicada para leitura.
Assim, avalio-me em 17 valores, não só pelos objectivos e estratégias expostos ou pelo trabalho para avaliação, mas também pelo tempo dispensado à escrita de um outro texto como forma de complemento do meu trabalho e de expansão do mesmo, visto que se encontra dentro dos mesmos objectivos mas sendo diferente, mesmo em termos de tema, mais objectivo que o texto posterior.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Uma questão de escolha

A eutanásia é justificável, dependendo das situações.

A polémica em torno desta questão há muito tempo que nos acompanha. Poderemos não saber bem porquê, já que outras mortes não se guiam pela longa discussão pela qual esta, a eutanásia, passa.

Primeiro, a eutanásia é uma morte algo particular, pelo simples facto das situações a que se aplica. Porque a eutanásia é uma morte apenas aplicável a pessoas que estejam num estado quase ou mesmo moribundo ou de sofrimento, física ou psicologicamente. Por acaso, se alguém se sentir num estado doloroso, será que lhe deverá ser negada a possibilidade de acabar com o seu próprio sofrimento? A decisão, sendo sobre si próprio, deverá ser respeitada, pois as regras básicas da liberdade serão desrespeitadas se assim não for.

Poder-me-ão dizer que talvez, o próprio doente não possua o discernimento suficiente para tomar decisão, sobre o estado em que se possa encontrar. Mas então, vendo o doente em tal estado, não deverá o familiar próximo considerar a mesma hipótese posta pelo doente? Pois se o doente se encontrar em dor, não será o único a aperceber-se disso.

E mesmo se o doente não se encontrar ciente da sua condição, se o parente se aperceber do estado presente do doente, deve tomar a decisão certa, com o maior critério possível, claro, dentro das circunstâncias. Mas se sentir que tal hipótese da morte incumbida no doente deve ser considerada, então não se lhe deve ser negada a escolha, apenas porque a morte não irá contra nenhuma regra imposta ou sequer contra a vontade do doente, visto que ele poder já não a possuir.

Assim, devendo o doente estar num estado longe daquele a que se considera vida, a escolha da sua morte deve ser considerada, seja pela própria pessoa, seja por outra exterior à situação, tornando a eutanásia possível.


Avaliando, então, o meu trabalho, direi que penso que a argumentação é mais clara que anteriormente, sendo a refutação e posterior argumentação um dos pontos a meu favor. A própria estrutura argumentativa encontra-se dentro dos parâmetros a que me propunha. O meu estilo de escrita, como a própria professora afirmou, continua presente, apesar de, como disse, mais claro em termos argumentativos e sintácticos. Assim avalio o meu trabalho em 17 valores.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Misticismo perdido

Se Iron Man provou há algum tempo que a boa qualidade das adaptações cinematográficas de bandas desenhadas ainda era possível, então X-Men Origins: Wolverine vem desmentir essa afirmação.

James Howlett é um rapaz pertencente a uma família abastada. Aparentemente normal, ao se deparar com a morte do seu pai, descobre a sua verdadeira natureza. Após longos anos de fuga e de passagem por guerras infindáveis, o agora Logan (interpretado por Hugh Jackman), acompanhado do seu irmão Victor Creed (Liev Schreiber), junta-se a uma equipa especial, com privilégios especiais, comandada pelo Coronel William Stryker (Danny Huston), uma equipa de mutantes como eles. Mas a sua desintegração no grupo e a discordância com os seus valores fá-lo desistir e procurar uma nova vida, com a mulher que ama, Kayla (Lynn Collins). Porém, o seu irmão, revoltado com a desistência de Logan, mata a sua companheira. Logan então, com uma sede inconcebível de vingança, aceita a proposta de Stryker de se juntar a um projecto governamental secreto, a Weapon X, e é então que, com o seu esqueleto pejado de um metal indestrutível chamado adamantium, ele se transforma em Wolverine. A partir deste momento, e sendo igualmente perseguido por Stryker, Wolverine fará uma jornada até ao fundo da sua compaixão e à descoberta da sua animalidade.

O primeiro ponto que se pode destacar, e sendo imediatamente apresentado no próprio início do filme, é o desrespeito pelas origens (ainda que não certas) da personagem, apresentadas na banda desenhada. A primeira cena do filme imediatamente remonta-nos para a história Wolverine: Origin. Mas logo a seguir apercebemo-nos da diferença, visto que, com a única fala “He’s not your father… son” parecemos estar frente a uma novela cujo próximo episódio não poderá perder.

Claro que sendo um filme baseado numa personagem de BD, poder-me-ão dizer que a liberdade para criar é maior, e sendo essa personagem o Wolverine, cujas origens não são totalmente conhecidas, poder-me-ão dizer que tal ainda mais se apropria. Mas a realidade é que não há consideração pela personagem em si. Wolverine é uma personagem que constantemente se debate com a sua busca pelo seu lado humano e a luta contra o seu lado animal, sendo este o seu grande conflito interior. O seu julgamento muitas vezes cambaleia entre adoptar as suas totais capacidades mutantes ou tentar viver entre humanos e é isso que proporciona a violência, visual e psicológica, das histórias desta personagem. E tal não é mostrado, sendo que os únicos vestígios de tal tentativa estão presentes na (pequena) história de amor do filme ou no conflito com o seu irmão.

E nem mesmo essas histórias, que se proporcionavam a algo mais, são aproveitadas, pois o ritmo do filme é demasiado acelerado. As cenas de acção sucedem-se numa hostilidade tremenda, as personagens surgem e desaparecem com demasiada regularidade para apresentações e os acontecimentos são narrados sem que tenhamos tempo de absorver a história.

Até os pequenos paralelismos entre este filme e os dois primeiros filmes dos X-Men são forçadamente introduzidos, revelando-se quase desperdícios, tal como as personagens introduzidas sem qualquer relevância para a história, apenas servindo a acção exagerada e o (fraco) humor.

Já em termos de representações, Liev Schreiber é o único a destacar-se, mostrando possível potencial para um possível futuro. Único porque, até mesmo Hugh Jackman, que é aclamado como o único possível Wolverine, esteve aquém das suas capacidades, não por sua culpa, visto ele ser um óptimo actor, mas pelo papel que apenas lhe propiciava umas boas doses de corrida, pancada e uivos animalescos, pancada esta que, mais uma vez, é construída com uma montagem rápida de planos, provocando confusão nas nossas mentes e mostrando falta de aptidão técnica do realizador neste sentido.

Os aspectos mais agradáveis que se poderão destacar são os créditos iniciais, que vão mostrando as várias guerras em que Logan e Victor combateram, e a inclusão de Gambit (Taylor Kitsch), ainda que desperdiçada, que poderá dar fruto a algo promissivo.

É por tudo isto que o título do filme se ajusta perfeitamente. Este é apenas mais um filme dos X-Men, provavelmente à espera de uma sequela e de muitos outros spin-offs, que não ajuda o suficiente a entender as origens desta mítica personagem ou de qualquer outra, apenas tentando proporcionar uma boa dose de entretenimento.

Classificação: 3 / 10

Título original: X-Men Origins: Wolverine