sábado, 20 de junho de 2009

Condições

De que vale termos uma vida?

De que vale fazermos algo de nós... se nos podemos desvanecer a qualquer momento?

De que vale viver... se não descobrirmos a razão... a razão de tanto sofrimento, de tanta confusão, de tantos distúrbios dentro de nós, de tanto trabalho... apenas para viver?

E valerá realmente a pena tanta vida vivida... gasta... a tentar sermos algo que nem sabemos se algum dia seremos verdadeiramente?

Valerá, de facto, tentar descobrir a felicidade… se não sabemos se algum dia chegaremos a encontrá-la verdadeiramente?

Mas, por outro lado, se não sabemos o restante tempo que temos… porque não explorá-lo ao máximo com o propósito de encontrarmos aquilo que procuramos com mais alento neste gigantesco e solitário universo?

No entanto, porque havemos de procurar algo que justifique a vida que tomamos… se não se prolongar até à perpetuidade dos tempos?

Valerá procurar a felicidade… se não for eterna essa felicidade... se não possuímos quaisquer garantias de que ela nos acompanhe até à nossa meta final, sequer?

E, portanto, se essa felicidade não é imortal, tal como nós não somos… que razão temos nós para viver?

De que vale viver... se não for eternamente?

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Ódio

Odeio aqueles sentimentos capazes de dar cabo de nós durante uma vida inteira.

Odeio a culpa.

Odeio as saudades.

De certa forma,

até odeio o amor.

De alguma forma,

esse sentimento que invadiu a minha alma há bastante tempo atrás,

conseguiu proporcionar-me os melhores e piores momentos da minha relativamente pequena vida.

Muitos diriam que exagero,

muitos diriam que a vida proporcionar-me-á mais momentos desses,

eu digo que nunca mais terei momentos como os que passei contigo,

disso tenho eu a certeza.

Sonhos,

pesadelos,

nem sei bem,

invadem-me o sono fazendo promessas de regresso ao passado,

de reconciliação,

da inexistência de um final.

Acordo feliz,

volto a adormecer derrotado.

Não mudo nada na minha cabeça,

no meu coração permanece o sentimento,

a culpa,

a saudade,

o amor.

Tenho medo de mudar as minhas memórias.

Talvez esteja a cometer um erro,

um grande erro,

ao te escrever tudo isto,

ao te revelar todos os segredos que não me dão descanso durante a noite e que me torturam todos os dias que passam.

Mas sinto a necessidade de o fazer.

Odeio a culpa.

Odeio as saudades.

De certa forma,

até odeio o amor.

Mas a ti,

amo-te…

Musa

Sonhos... Existem sempre sonhos...
O passado parece voltar à superfície.
Memórias, que regressam através de simples palavras, expressões, lugares.
Todos os dias, sem qualquer razão, ela passa por mim inúmeras vezes. Agradeço pela possibilidade de a vislumbrar novamente...
Olho novamente e finalmente vejo... Poderia ser ela, se apenas os sonhos, a imaginação, fossem a realidade em que vivemos.
Tristeza toma conta dos meus olhos, ficam embaciados, com o único desejo de nada mais ver, de me desvanecer nas minhas memórias...