quinta-feira, 25 de agosto de 2011

De um mundo não tão igual

Um livro não deve ser igual ao seu filme homónimo. É este facto que I Am Number Four nos vem relembrar, muito felizmente.

John Smith é do planeta Lorien, enviado para a Terra juntamente com oito outros, aquando da destruição do seu planeta pelos Mogadorianos. Condenado a levar uma vida de fuga e sem uma identidade própria, é obrigado mais uma vez a fugir quando o Número Três do grupo dos nove é morto, sabendo que o próximo será ele. Agora, estabelecido numa nova terra, ver-se-á preso a uma identidade que pretende manter, ao mesmo tempo que recebe os seus poderes e fica mais próximo da luta pelo seu destino, que poderá pôr não só a si próprio e aos restantes do grupo em perigo mas também às suas novas amizades, que tanto pretende manter.

Anteriormente aqui criticado, o principal problema do livro que originou este filme era o facto de deixar certos clichés sobreporem-se às possibilidades da sua premissa e como se tornava desequilibrado. Assim, parece que são entendidos esses erros e são contornados.
Primeiro, o filme agarra apenas em momentos chave daquilo que se passa enquanto no colégio, já que esse é a razão para o desequilíbrio do livro. Mas nem esses momentos são mantidos como no livro e são tornados inteligentemente mais sérios, até com protagonistas mais velhos que dão uma maior ideia de maturidade ao filme.
É esse mesmo o principal e melhor aspecto do filme, a sua seriedade, e aí se nota de que forma o livro foi trabalhado, retirando aspectos que não faziam de todo falta ou pareciam fora de tom e reinterpretando aspectos de certas personagens e mesmo da narrativa que falhavam e empobreciam a história, modificando mesmo algumas cenas, como a do incêndio, no livro, que se torna aqui quase numa cena de perseguição policial, mudando o tom para algo mais perto de um thriller, como era esperado.

Claro que o filme não atinge um patamar de grande qualidade, ainda por cair num estilo e numa narração já conhecida, mas tem claras pretensões de se assumir diferente do livro e algo mais sério e diferente. Mesmo a batalha final, que ganha proporções aborrecidas no livro com cenas tão conhecidas e óbvias, tem uma certa frescura no filme, por mostrar algo mais que o livro e num maior ritmo.

Assim, é óbvio que, estranhamente, o filme acaba por ser melhor que o livro, por fazer o trabalho que o autor parece não se ter interessado por limar.

Classificação: 5 / 10

Título original: I Am Number Four
De: D.J. Caruso
Escrito por: Alfred Gough, Miles Millar, Marti Noxon
Com: Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Dianna Agron

domingo, 21 de agosto de 2011

De um mundo tão igual

"No início éramos um grupo de nove. Três desapareceram, estão mortos. Agora somos seis. Eles estão a perseguir-nos e não vão parar até nos terem matado a todos. Eu sou o Número Quatro. Sei que sou o próximo."
Lendo este pequeno texto introdutório ao livro e começando a lê-lo esperava algo como a história de um ser de uma raça diferente da nossa, refugiado no nosso planeta, esperando pela sua morte, sem conhecer o seu passado e sem ter uma identidade certa. No entanto, o livro revela-se quase o oposto disto.

Ao iniciar, através de uma sequência extremamente cinemática, o livro parece prometer uma espécie de thriller suave envolvendo espécies extraterrestre num planeta que lhes é estranho. Mas rapidamente percebe-se algo estranho, ao percebermos que o autor do livro se intitula como uma das personagens da sua própria obra. De facto, ao nos apresentar uma personagem extremamente interessada por conspirações com extraterrestres, percebemos que direcção parece tomar a narrativa. Chega ao ridículo de sugerir, ainda que como ideia (esperemos), que grandes personalidades do nosso mundo possam ser produto de relações intra-espécies.

Algo que de igual forma falha é o equilíbrio da narrativa. Ainda que de início sigamos a jornada da personagem principal enquanto desenvolve os seus poderes e descobre mais sobre os seus objectivos, logo no capítulo seguinte pudemos, com igual importância, ser postos na pele de um jovem adolescente igual a qualquer outro que se apaixona pela ex-namorada de um rufia e que tem como amigo o jovem mais tímido e geek do colégio. Infelizmente, este paralelismo não oferece tanta dualidade na busca da sua identidade como seria de imaginar, ainda que existam bastantes vezes em que a personagem principal se questiona das suas decisões e desejos, ao que ajuda a narração ser feita pela própria personagem.

Existem, assim, momentos interessantes, como os que referi anteriormente, mas são poucos face à quantidade tremenda de situações comuns e, por vezes, mesmo forçadas, como mostra o combate final, em que se sucedem várias fórmulas já conhecidas e aborrecidas, em que o jovem ganha poderes muitos convenientes e combate com inimigos tão feios quando a sua malignidade e monstros que acrescentam em muito a falta de empolgadura da batalha.

Assim, uma fórmula que poderia ser original, usa fórmulas muito conhecidas e torna-se muito desequilibrada, fazendo-se valer apenas pelos escassos momentos de interrogação da personagem que seguimos atentamente.


Sou o Número Quatro (Pittacus Lore)
Editorial Presença
1ª edição - Março de 2011
415 páginas

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tanto mais

Presumo existirem variadas seduções
que deveriam satisfazer algum deleite meu
visual ou de qualquer outra natureza
Mas já nenhuma me provoca qualquer inconsciente efeito
numa qualquer consciente observação
não por ter perdido o prazer de me deleitar
mas por nenhuma satisfazer aquilo que busco
Ah! penso eu, Como será possível
se existe tão variada escolha?
Precisamente aí reside o problema
não quero ter escolha
ou melhor, não desejo escolher por ter escolha
mas escolher por não haver escolha
Procuro e mais, desejo algum confronto
alguma rara hipótese de facilidade
pois se tal encontro não existir
e persistir
qual a graça de tão superficial sedução ou gosto
que apenas se mantém por breves momentos antes do enfadonho de uma relação baseada em tão pouca opção de escolha?
Saúdo com saudade esse fascínio a que resisto chamar sedução
por não ser padrão de beleza mas beleza sem qualquer padrão
Estarei a declarar-me? Talvez, se considerarmos tal efeito como causa
Mas não o considero assim
antes como uma descoberta que reclamo
Ah! relembro eu, As descobertas não possuem dono
são donas de si próprias
Nunca a poderei ter
Felizmente, não encontro angústia alguma neste acaso
pois não deixo de ser quem a olha fascinado
e a espera rever

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aventura para reflexão

Jurassic Park é um livro que inclui vários momentos que poderiam estar no âmbito de uma disciplina de ciências ou de filosofia, mas mais do que isso é, felizmente, uma aventura que se deve ter em conta, mesmo que estas disciplinas não sejam do maior agrado.

Nos inícios da obra, Crichton apresenta-nos várias personagens que farão parte de toda a história, ainda que algumas delas se percam pelo caminho. E, apesar dessas personagens não serem de todo numerosas, limitando-nos a pouco mais de um punhado de personagens para seguir, estas parecem não ser totalmente pensadas, sendo que por vezes as personagens têm conhecimentos que geralmente não teriam no seu contexto, apenas para que um diálogo tome lugar.
Não digo com isto que Crichton fá-lo erradamente, e este até pode ser um pensamento próprio e não relevante, mas mesmo que tal aconteça, o autor fá-lo em prol da própria história e, como disse, de diálogos que, pudendo parecer forçadamente introduzidos, servem uma reflexão sobre o estado da ciência, o crescimento aparentemente infinito desta e como afecta o pensamento da sociedade, através da personagem que se mantém sempre fiel a si mesma (provavelmente, com semelhanças na personalidade com o autor), Ian Malcolm.

Michael Crichton inteligentemente divide o livro em vários tomos ou, como o próprio lhes chama, "iterações", que permite ao leitor uma ajuda na compreensão da evolução da história. Existem certas referências em cada primeira página de cada iteracão a um sistema que se torna cada vez mais complexo, junto com um gráfico que ilustra, de uma forma bem perceptível, a ideia subjacente à frase adjacente, revelando o perigo expeonencialmente crescente que se faz sentir cada vez mais ao longo da narrativa.
E esse perigo que o autor vai dando a conhecer com numerosos encontros e posteriores confrontos com os ex-extintos animais consegue sempre manter-se diferente de um para outro, havendo sempre um clima de surpresa na sua descrição, sem nunca entendermos quem será o sobrevivente e a vítima fatal quando findada a página, mantendo o suspense sempre que possível e aumentando a parada naquilo que seriam cenas de um terror visual intenso até ao final, sem deixar um fim "feliz" com que nos contentarmos após tanta carnificina. Não que o final seja desagradável, só não é o mais comum.

Assim, para quem terá visto o filme antes, não espere o mesmo tipo de experiência, mas algo mais profundo em conhecimentos e reflexão, com menos bases numa "aventura", no sentido mais lato da palavra.


Parque Jurássico (Michael Crichton)
Difusão Cultural
1ª edição - 1990
432 páginas

domingo, 7 de agosto de 2011

O que falta no filme da minha vida? Um interesse romântico, talvez. A emoção de um twist no seu desenvolvimento. Um flashback a um momento marcante...
O que falta no filme da minha vida?