quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Aventura para reflexão

Jurassic Park é um livro que inclui vários momentos que poderiam estar no âmbito de uma disciplina de ciências ou de filosofia, mas mais do que isso é, felizmente, uma aventura que se deve ter em conta, mesmo que estas disciplinas não sejam do maior agrado.

Nos inícios da obra, Crichton apresenta-nos várias personagens que farão parte de toda a história, ainda que algumas delas se percam pelo caminho. E, apesar dessas personagens não serem de todo numerosas, limitando-nos a pouco mais de um punhado de personagens para seguir, estas parecem não ser totalmente pensadas, sendo que por vezes as personagens têm conhecimentos que geralmente não teriam no seu contexto, apenas para que um diálogo tome lugar.
Não digo com isto que Crichton fá-lo erradamente, e este até pode ser um pensamento próprio e não relevante, mas mesmo que tal aconteça, o autor fá-lo em prol da própria história e, como disse, de diálogos que, pudendo parecer forçadamente introduzidos, servem uma reflexão sobre o estado da ciência, o crescimento aparentemente infinito desta e como afecta o pensamento da sociedade, através da personagem que se mantém sempre fiel a si mesma (provavelmente, com semelhanças na personalidade com o autor), Ian Malcolm.

Michael Crichton inteligentemente divide o livro em vários tomos ou, como o próprio lhes chama, "iterações", que permite ao leitor uma ajuda na compreensão da evolução da história. Existem certas referências em cada primeira página de cada iteracão a um sistema que se torna cada vez mais complexo, junto com um gráfico que ilustra, de uma forma bem perceptível, a ideia subjacente à frase adjacente, revelando o perigo expeonencialmente crescente que se faz sentir cada vez mais ao longo da narrativa.
E esse perigo que o autor vai dando a conhecer com numerosos encontros e posteriores confrontos com os ex-extintos animais consegue sempre manter-se diferente de um para outro, havendo sempre um clima de surpresa na sua descrição, sem nunca entendermos quem será o sobrevivente e a vítima fatal quando findada a página, mantendo o suspense sempre que possível e aumentando a parada naquilo que seriam cenas de um terror visual intenso até ao final, sem deixar um fim "feliz" com que nos contentarmos após tanta carnificina. Não que o final seja desagradável, só não é o mais comum.

Assim, para quem terá visto o filme antes, não espere o mesmo tipo de experiência, mas algo mais profundo em conhecimentos e reflexão, com menos bases numa "aventura", no sentido mais lato da palavra.


Parque Jurássico (Michael Crichton)
Difusão Cultural
1ª edição - 1990
432 páginas

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