domingo, 21 de agosto de 2011

De um mundo tão igual

"No início éramos um grupo de nove. Três desapareceram, estão mortos. Agora somos seis. Eles estão a perseguir-nos e não vão parar até nos terem matado a todos. Eu sou o Número Quatro. Sei que sou o próximo."
Lendo este pequeno texto introdutório ao livro e começando a lê-lo esperava algo como a história de um ser de uma raça diferente da nossa, refugiado no nosso planeta, esperando pela sua morte, sem conhecer o seu passado e sem ter uma identidade certa. No entanto, o livro revela-se quase o oposto disto.

Ao iniciar, através de uma sequência extremamente cinemática, o livro parece prometer uma espécie de thriller suave envolvendo espécies extraterrestre num planeta que lhes é estranho. Mas rapidamente percebe-se algo estranho, ao percebermos que o autor do livro se intitula como uma das personagens da sua própria obra. De facto, ao nos apresentar uma personagem extremamente interessada por conspirações com extraterrestres, percebemos que direcção parece tomar a narrativa. Chega ao ridículo de sugerir, ainda que como ideia (esperemos), que grandes personalidades do nosso mundo possam ser produto de relações intra-espécies.

Algo que de igual forma falha é o equilíbrio da narrativa. Ainda que de início sigamos a jornada da personagem principal enquanto desenvolve os seus poderes e descobre mais sobre os seus objectivos, logo no capítulo seguinte pudemos, com igual importância, ser postos na pele de um jovem adolescente igual a qualquer outro que se apaixona pela ex-namorada de um rufia e que tem como amigo o jovem mais tímido e geek do colégio. Infelizmente, este paralelismo não oferece tanta dualidade na busca da sua identidade como seria de imaginar, ainda que existam bastantes vezes em que a personagem principal se questiona das suas decisões e desejos, ao que ajuda a narração ser feita pela própria personagem.

Existem, assim, momentos interessantes, como os que referi anteriormente, mas são poucos face à quantidade tremenda de situações comuns e, por vezes, mesmo forçadas, como mostra o combate final, em que se sucedem várias fórmulas já conhecidas e aborrecidas, em que o jovem ganha poderes muitos convenientes e combate com inimigos tão feios quando a sua malignidade e monstros que acrescentam em muito a falta de empolgadura da batalha.

Assim, uma fórmula que poderia ser original, usa fórmulas muito conhecidas e torna-se muito desequilibrada, fazendo-se valer apenas pelos escassos momentos de interrogação da personagem que seguimos atentamente.


Sou o Número Quatro (Pittacus Lore)
Editorial Presença
1ª edição - Março de 2011
415 páginas

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