Um livro não deve ser igual ao seu filme homónimo. É este facto que I Am Number Four nos vem relembrar, muito felizmente.
John Smith é do planeta Lorien, enviado para a Terra juntamente com oito outros, aquando da destruição do seu planeta pelos Mogadorianos. Condenado a levar uma vida de fuga e sem uma identidade própria, é obrigado mais uma vez a fugir quando o Número Três do grupo dos nove é morto, sabendo que o próximo será ele. Agora, estabelecido numa nova terra, ver-se-á preso a uma identidade que pretende manter, ao mesmo tempo que recebe os seus poderes e fica mais próximo da luta pelo seu destino, que poderá pôr não só a si próprio e aos restantes do grupo em perigo mas também às suas novas amizades, que tanto pretende manter.
Anteriormente aqui criticado, o principal problema do livro que originou este filme era o facto de deixar certos clichés sobreporem-se às possibilidades da sua premissa e como se tornava desequilibrado. Assim, parece que são entendidos esses erros e são contornados.
Primeiro, o filme agarra apenas em momentos chave daquilo que se passa enquanto no colégio, já que esse é a razão para o desequilíbrio do livro. Mas nem esses momentos são mantidos como no livro e são tornados inteligentemente mais sérios, até com protagonistas mais velhos que dão uma maior ideia de maturidade ao filme.
É esse mesmo o principal e melhor aspecto do filme, a sua seriedade, e aí se nota de que forma o livro foi trabalhado, retirando aspectos que não faziam de todo falta ou pareciam fora de tom e reinterpretando aspectos de certas personagens e mesmo da narrativa que falhavam e empobreciam a história, modificando mesmo algumas cenas, como a do incêndio, no livro, que se torna aqui quase numa cena de perseguição policial, mudando o tom para algo mais perto de um thriller, como era esperado.
Claro que o filme não atinge um patamar de grande qualidade, ainda por cair num estilo e numa narração já conhecida, mas tem claras pretensões de se assumir diferente do livro e algo mais sério e diferente. Mesmo a batalha final, que ganha proporções aborrecidas no livro com cenas tão conhecidas e óbvias, tem uma certa frescura no filme, por mostrar algo mais que o livro e num maior ritmo.
Assim, é óbvio que, estranhamente, o filme acaba por ser melhor que o livro, por fazer o trabalho que o autor parece não se ter interessado por limar.
Título original: I Am Number Four
De: D.J. Caruso
Escrito por: Alfred Gough, Miles Millar, Marti Noxon
Com: Alex Pettyfer, Timothy Olyphant, Dianna Agron

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